Vão
Florianópolis. Um edifício simples, com quatro andares e quatro apartamentos por andar, unidos em seu centro através das janelas basculantes dos banheiros por um vão pelo qual podem ser ouvidos sons dos mais diversos.
Suellen, uma mulher de hábitos peculiares, obcecada por ordem, acaba de chegar à cidade, vinda do interior. A forasteira vai logo se tornar síndica e perceber que o prédio é tratado com imenso descaso por todos os moradores, que parecem muito mais preocupados com seus próprios problemas domésticos – ninguém ousa olhar para o outro.
A insalubridade do lugar ganha contornos ainda mais sinistros quando Suellen começa a ouvir, de seu apartamento, insistentes gritos. Ao questionar os demais moradores sobre, percebe que a única pessoa que os ouve é ela mesma. Perturbada e sozinha, entra numa espiral de loucura, enquanto tenta compreender quem grita e o porquê, além de precisar cuidar dos demais problemas do prédio, como um elevador que não funciona, entregas de encomendas mal-sucedidas, infiltrações, intrigas entre vizinhos, entre outros, e também arranjar tempo para, no meio disso tudo, tentar compreender quem ela é, quem pode ser, do que realmente gosta, o que deseja e o que pode desejar.
A caótica jornada de autodescoberta de Suellen e os estranhos acontecimentos que a rodeiam unirão de vez os moradores do prédio, antes tão desconectados dos outros e de si próprios. E ela, que aprendera a viver com uma pilha de neuroses pesando sobre a cabeça, descobrirá como entrar em contato com suas emoções mais profundas, olhando finalmente para seus vãos e se permitindo ir de encontro à liberdade.