A Verdadeira História de Pedro
1968. Depois de recortar mais uma vez a Bíblia de couro de sua mãe (“Coloquei o Genesis no final, ficou bem mais surpreendente, mãe”), o meticuloso Pedro é obrigado por ela a trabalhar no serviço público espanhol, mais precisamente no departamento de censura franquista. Quando ele censura “Viridiana”, sugere um novo final (aceito por Buñuel), e o filme ganha Cannes, é rapidamente enviado pela ditadura espanhola ao Brasil para trabalhar no recém-inaugurado Depto de Censura Federal, num intercâmbio inédito de mão de obra especializada entre as ditaduras. Em Brasília, após seus cortes deixarem os filmes melhores, muito melhores, do que antes, ele passa a ser assediado pelos cineastas, causando a inveja e ira de seus colegas de profissão. Para poder trabalhar “em paz”, Pedro aceita ser sequestr…digo, “resgatado” pelos artistas.
Mas, diante do assédio ainda maior dos cineastas em cativeiro, ele foge e se refugia na rua Augusta (espaço símbolo da contracultura e anarquia brasileiras no final dos anos 60), onde conhece a desconcertante travesti Amparo, e se ‘abre’ para uma nova verdade: para corrigir o mundo, precisa corrigir a si mesmo. Mas para corrigir a si mesmo, precisa parar de corrigir o mundo.
Depois de alguns dias transformadores, a polícia especial do exército descobre seu paradeiro, e vai atrás dele. Após ser “resgatado” e repatriado aos gritos no aeroporto, Pedro pede demissão do departamento de censura espanhol, dirige seu primeiro curta-metragem – onde conta sua história de amor com Amparo -, e se torna, bem, o segundo maior diretor espanhol da história.